Esgotar a Dança – A Performance e a política do movimento
“Se a coreografia emerge no início da era moderna como forma de recalibrar o corpo para que este se represente a si mesmo como pleno ‘ser-para-o-movimento’, talvez o recente esgotamento da noção de dança como pura exibição de movimento ininterrupto participe de uma crítica geral a este modo de disciplinar a subjectividade, de constituir o ser. […] Se o ‘único elemento imutável’ da modernidade é, paradoxalmente, o movimento, então podemos argumentar que, ao romper a aliança entre dança e movimento, ao criticar a possibilidade de sustentar um modo de se mover num ‘fluxo e continuum de movimento’, alguma da dança recente poderá, na verdade, estar a lançar um desafio político e teórico a essa antiga aliança entre a invenção simultânea da coreografia e da modernidade como ‘ser-para-o-movimento’ e a ontologia política do movimento na modernidade. Neste sentido, esgotar a dança é esgotar o emblema permanente da modernidade. É levar o modo de criar e privilegiar uma subjectividade cinética da modernidade até ao seu limite crítico. É esgotar a modernidade, para usar a eloquente formulação de Teresa Brennan, que poderá ser entendida como sinónima do título do presente livro.” [André Lepecki]
Edição: Edições do Saguão em parceria com Associação Parasita, O Rumo do Fumo e TBA – Teatro do Bairro Alto
Tradução: Miguel Cardoso; Revisão: Mariana Pinto dos Santos
Design e paginação: Rui Miguel Ribeiro
Título original: Exhausting Dance: Performance and the Politics of Movement 1st edition